terça-feira, 13 de outubro de 2009

Jaiminho (p.i.) (1)

- Celso.
- Hm. Peraí, cinco minutinhos, to terminando aqui.
- Ahhhh. Eu to com deseeeeeeeejo!
- Mas eu to todo mal vestido, nem tomei banho ainda...
- Não é este desejo... eu quero comer gelatina.
- Ah, ta. Tem lá na geladeira, eu fiz ontem.
- Mas só tem de moraaaaango!
- E não serve?
- Não, eu quero de uuuuuva.
- Amor, em cinco minutos eu fecho uma conta aqui e vamos nós dois fazer a gelatina ta?
- Mas não tem gelatina de uuuuuuuva.
- Já procurou?
- Jáaaaaaaaaaaaaaa.
- Pouts, que dengosa...
- Amor, eu quero choraaaaaar...
- Calma, amanhã eu compro novecentas e trinta e oito caixas de gelatina e a gente faz todas ta?
- Mas, Ceeeelso, eu quero agora!
- Ana, tá tudo fechado.
- O Sendas é 24 horas.
- Ah, Ana, é sério? São onze horas!
- Tudo bem. Seu filho vai nascer roxo e com a cara do Bocão.
- Ana, Ana. Toda vez que você fala uma coisa dessas, minha pressão cai um pouco.
- Pouxa, tanto tempo que não como gelatina de uva...
- Ontem você queria miojo, hoje não quer?
- Não, quero gelatina. E quero agora.
- E se eu fizer miojo com requeijão por cima?
- Agora não adianta, né?! Nosso filho vai nascer roxo, com a cara do Bocão e com o cabelo do Biro-Biro.
- Peraí que vou colocar sal embaixo da língua...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Whatever

- Oi!
- Oi, amor...
- Cansado?
- Ô. (*smack*)
- Como foi a reunião?
- Bufff... foi “uó.”
- Quê?
- Foi muito chata.
- Não foi isso que você falou.
- ã?
- Você falou que a reunião foi “uó”.
- E foi mesmo.
- Hahahaha, você precisa se ouvir, Celso Henrique.
- Que que foi?
- Quem fala “uó” é mulher... ou bicha.
- Claro que não!
- É sim, confie em mim!
- Que besteira...
- Pensa bem: algum dos teus amigos fala “uó”?
- Ah, não sei, deve falar.
- Acho que não... Falar “uó” tem o mesmo peso de falar “me diverti horrores”.
- Qual o problema de “se divertir horrores”?
- “Horrores” também é expressão de mulherzinha.
- Ah, que isso! Preconceito besta ... é gíria, tá na boca de muita gente aí... a mídia usa, a novela usa, o trocador do ônibus usa, todo mundo usa.
- Mais ou menos, né? Com parcimônia!
- Pô, Ana! Papo brabo, ‘cabei de chegar, to puto, reunião chata pra kct...
- “Foi uó” ou foi “chata pra kct”?
- Chata, cansativa, um porre, uma merda, estressante, exaustiva, whatever!
- “Whateeeeeeever”?!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Niver Fê (1)

- Vamos, escreve aí uma mensagem bonita pra Fê.
- Por que eu?
- Porque eu já comprei o presente, você fica responsável pelo cartão.
- Mas a sua letra é mais bonita, escreve você.
- Você pode ditar que eu escrevo.
- Ah, Ana, você sabe que eu não sou bom com as palavras...
- Mas eu to sem inspiração. Poxa, colabora...
- Tá... que tal “Fernanda, feliz aniversário. Beijos, Ana e Celso”?
- Isso até minha afilhada sabe escrever!
- Mas é sincero. “Feliz aniversário” quer dizer que a gente deseja que ela tenha um aniversário feliz! É fácil de entender.
- Nossa, você ta parecendo a Sandy, explicando que o que é imortal não morre no final.
- E se a gente colocasse um poema famoso?
- Pode ser, mas qual?
- “A vida...”...
- “A vida...”? Que mais?
- “A vida é...” ou “Amar é...”...
- Você falou que a gente ia colocar um poema famoso. Se você não percebeu, você está compondo um poema completamente novo... Vamos simplificar, poeta. Que tal: “Fê, um super beijo e muitos gatos na sua vida!”, hein?
- Mas tinha que ser uma reflexão, né? Ta na hora da Fê ficar mais espiritualizada, afinal, ela vai fazer 28...
- Você ta com 29 e tá zero espiritualizado!
- É que com homem é diferente, a gente envelhece mais devagar.
- Você ta chamando a Fê de velha?
- Não, né?
- Quando você quer dizer que “homem envelhece mais devagar” você quer dizer “amadurece”, né?
- Ah, Ana... não vem com este papo brabo não...
- Humpf. Vamos retomar...
- “Fernanda, te desejamos...”
- Não quero saber se você desejar ela não!
- Ana, não complica, to buscando a palavra.
- Ah, bem! Acha esta palavra rápido que gente já tá ficando atrasado!
- Você devia ter comprado um cartão do Garfield! Já vem com mensagem escrita!
- Você gosta de tudo mais fácil!
- Ana, não tenho idéia do que vou escrever! Pra mim, a gente não entrega este cartão, presente já tá bom! Na verdade, estar presente já tá muito bom.
- Me dá este negócio aqui, seu preguiçoso! Vai vestir seu sapato! Nem sei que que vou escrever...
- Já sei! Escreve algum verso de música.
- Ok, mas qual?
- A primeira que você lembrar.
- Que coisa complexa...
- Uma que te inspire....
- (escreve) "Fernanda, Amar é um deserto e seus temores. Beijos, Ana e Celso”.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Adriano ('cê tá me ouvindo?)

- Pra você nunca mais falar que eu não sou companheira.
- Ok, mas na hora do jogo não é hora de conversar, tá?
- Ta. Mas vai me explicando preu não pagar mais mico na frente dos seus amigos.
- Aquela foi fod@. Confundir o bandeirinha com torcedor invadindo campo...
- Celso, mas dava pra superconfundir! O cara levantava uma bandeira coloridinha, parecia que tava animando o time!
- Shhhh. O juiz vai apitar e vai começar. Muito simples.
- Mas por que que os jogadores não se posicionam de uma vez mais perto do gol onde eles tem que colocar a bola? Se eu fosse jogador já estaria lá perto há muito tempo!
- Porque não pode.
- Por quê?
- Ana, é tipo vôlei. Cada um tem um campo. Começa no próprio campo. Esta linha divide o campo como a rede divide o campo de vôlei, só que futebol não tem rede, tem esta linha.
- Tem rede sim senhor!
- ...
- A rede do gol!
- Ahhhh, Ana, claro que tem, mas não é a rede que divide o campo, que nem vôlei, tênis, pingue-pongue. Não tem a mesma função.
- Claro, isso deu pra sacar...
- ...
- Corre, corre!
- Você ta torcendo pra quem?!
- Pro Flamengo!
- Isto aí é o Atlético Paranaense. O Flamengo ta de branco.
- Ah tá... falha minha. E eles não se confundem não? Uma hora de vermelho, outra hora de branco...
- Não.
- Estranho. Se estiver acostumado com a outra roupa, vai jogar a bola pro cara do outro time...
- Shhh.
- Cadê aquele cara com cabelo do pica-pau?
- É o Leo Moura, tá machucado, não tá jogando.
- Ahhh, então não reconheço mais nenhum!
- Pô, tem o Adriano.
- Que Adriano?
- Pô, Ana, o Adriano.... este aí ó!
- Geeeente, como eu pude me esquecer deste Adriano?
- Ihhh, olha lá...
- Lembro dele na Copa de 2005!
- 2006.
- É, é... gente, que homão...
- Ihhh. Pode parar!
- Mas ele é enorme!
- Vai, porr@!
- “Vai, puxa vida”. Porr@ é feio, amor!
- Feio é este juiz féladapulta!
- Cruzes! Que agressividade...
- Tá vendo? Adora um cai-cai, marca tudo! Tem que deixar rolar, toda hora pára o jogo!
- Mas tem que esperar o outro levantar! Jogo é importante, mas é bom ser educado, tem tanta criança assistindo! Tem que dar exemplo!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Ariana

- Aháaa, peguei!
- O quê?
- Tá checando minhas mensagens! Ciumenta!
- Tô nada!
- Tá vendo quem me ligou!
- Na verdade, eu ia jogar um joguinho, mas acabei sem querer caindo no registro de chamadas...
- Viu?! Depois eu que sou o ciumento da relação!
- Interessante, Celso, uma Ariana te ligou uma vez hoje, duas vezes ontem, uma vez na sexta à noite...
- É a Ariana, a secretária.
- Que secretária?
- Que substituiu a Glória...
- Ã.
- Ih, não vem com “ã” porque você conheceu a Ariana, na festa de fim de ano!
- Eu não lembro!
- Lembra sim, você tava naquela roda do pôquer, ela também tava.
- Lembro não...
- Ah! Já sei! Que foi dupla do Eduardo na sinuca.
- A dupla do Edu foi a Simone!
- Na primeira rodada, porque na segunda foi a Ariana! Lembra?
- Não faço a mínima idéia!
- Ela te mostrou a foto do filho dela...
- Que foto? Que filho?
- O moleque estudou na escolinha da sua afilhada. Vocês ficaram conversando um tempão...
- To te sacando, hein, Celso, ta querendo me enrolar! Tá querendo que eu me preocupe com minha memória fraca e não com estes telefonemas estranhos! Eu tenho cara de boba, mas boba eu não sou!
- Ana! Eu não tenho culpa se você não se lembra!
- Que história engraçada... eu acho que eu não fui nesta festa que você está descrevendo... será que você foi com a Ariana e eu não fui informada???
- Ana, Ana... não bata o pé pra mim!
- “Celso Henrique, Celso Henrique”. Pela última vez, antes que eu comece a te jogar coisas: quem é esta tal de Ariana?
- É aquela que tem uma bolsa Prada que você queria igual!
- Aaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh tá, a Ariana!

sábado, 3 de outubro de 2009

Djavan (1)

- “Amarelo deserto e seus temores...”

- É “Amar é um deserto”.

- Como assim?

- “Amar é um deserto e seus temores”.

- Não, não é possível.

- Me diz qual deserto é amarelo.

- Todos, quer dizer, a maioria tem areia amarela.

- Tá, faz sentido, mas não é “amarelo”.

- Ah, vai dizer que há anos eu canto esta música errado deste jeito?

- E não canta? Tá com dúvida, joga aí no Google.

- ...

-...

- “Amar é”

- Te disse.

- Então o videokê tá errado.

- Ahã, processa eles.

- Se eu fosse o Djavan, eu processava, fica divulgando a música errado...

- Djavan não deve ter nunca chegado perto de um videokê!

- Ah, ele devia, pra ver se deixa de ser fanho...é tão bom soltar a voz!

- Só não é bom pra quem tá perto!

- Quando eu era novinha, lá em Cabo Frio, tinha concurso de videokê no Natal. Todo mundo da minha família cantava.

- Que bom que não te conhecia!

- Imagina, eu era ótima, ganhava todas! Tem um jeito certo pra ganhar pontuação boa: tem que gritar.

- Repito: que bom que não te conhecia!

- E tem as músicas que se encaixam melhor no seu tom, né? A minha é aquela música do holandês.

- Qual?

- Das antigas! “Eu perguntava ‘tu e o holandês?’, e te abraçava ‘tu e o holandês’”, sabe?

- Não. Nunca ouvi.




(Tânia confessa que canta "A maré, o deserto e seus temores". Ela também recorreu ao PaiGoogle.)

Meus roteiros que nunca dariam certo. (2)