domingo, 26 de dezembro de 2010

Como um cineasta sobrevive ao Natal (ou como sobreviver ao Natal com um cineasta)

Como um cineasta sobrevive ao Natal (ou como sobreviver ao Natal com um cineasta)

Amigo cineasta, contente-se. Sua coleção de DVDs está prestes a aumentar com o super Amigo oculto em família!

Situação A:
Nesta situação, o presenteador é provavelmente aquele parente que não tem muita afinidade ou contato com o cineasta a ser presenteado. Exemplo: marido da prima. Presentador pensa "Não tem como errar" e compra um DVD “clássico”. Vale 10 pontos no jardim das boas intenções e sorrisos de toda a família.

Cineasta presenteado pensa “Errou. Se é um clássico, eu já vi este filme trocentas vezes e tenho o DVD edição especial da Coleção Golden – cortes do diretor, versão remasterizada”. Vale uma taça de champanhe, afinal, pode trocar o presente por um filme que realmente quer.
Presente: Crepúsculo dos Deuses, E o Vento Levou, Cantando na Chuva
Situação B:
O presenteador pode ser o tio do cineasta, por exemplo. Pessoa que se julga sensata e pensa que conhece a coleção de DVDs do sobrinho(a). Vai comprar um filme diferente, que provavelmente vai chamar a atenção do cineasta. Vale 19 pontos no jardim das boas intenções, pois a família vai fazer cara de “Oh”.
Cineasta presenteado vai reconhecer o empenho da figura e analisa bem a capa do DVD daquele filme iraniano, conhecido pelos longos planos-sequencia e pelo recorde de 52 minutos sem qualquer diálogo. Vale duas taças de um merlot mais ou menos, afinal, o cineasta vai acabar abrindo o DVD pra ver se são realmente 52 minutos sem uma falinha sequer. E dormirá aos 19 minutos.
Presente: A Arca Russa, Através das Oliveiras, A Última Tentação de Cristo.
Situação C:
Não existe situação mais confortável que presentear o primo. Ele tem quase a mesma idade que o cineasta, então pensa que, qualquer coisa que ele goste, é possível que o primo também goste. De vez em quando, os primos batem uns papos, se cumprimentam no MSN e se zoam por Facebook, então, qualquer coisa tá bom, principalmente se o DVD estiver em promoção nas Lojas Americanas, onde comprará o presente no louco dia 23 de dezembro. Não vale pontos no jardim das boas intenções, porque o primo até pensou em embrulhar um DVD de sua própria estante e economizar uns trocados.
Ao receber o presente, o cineasta vai abraçar o primão, tentando lembrar qual foi a última vez em que viram um filme juntos. Ou qual foi a última vez em coincidentemente que apertaram o botão "curtir" do Facebook quando houve a postagem do trailer de algum filme. O presente não é de todo ruim: o cineasta bebe uma cervejinha e manda um SMS pros os outros amigos cineastas, sugerindo uma negociação, afinal, o presente é moeda de troca.
Presente: O Cavaleiro das Trevas, O Homem Aranha, O Sexto Sentido.

Situação D:
O presenteador é o irmão (ou pai, ou mãe) do cineasta e conhece sua coleção de DVDs tão bem que sabe quais são os filmes que estão realmente faltando. Compra aquele filme que o cineasta sempre assiste comendo pipoca nas reprises da TNT ou do Warner Channel. Ou da sessão da tarde. Vale 63 pontos nos jardim das boas intenções, mas o restante da família apenas assiste a cena da entrega do presente pensando "é marmelada".
O cineasta acha o máximo quando o irmão (ou pai, ou mãe) revela que o tirou no amigo oculto. Abre o presente sedento e quer assistir o filme o quanto antes, tomando um toddynho gelado.
Presente: Como Perder um Homem em 10 dias, Karate Kid 2, Sonho de Verão
Situação E:
O presenteador é aquela pessoa... pouts, é a avó do cineasta. Quer presentear o neto com algo significativo, que valorize sua profissão. Com certeza, vai comprar um filme brasileiro, sucesso de público. Vovó tem absoluta certeza de que vai agradar. Não vale nenhum ponto no jardim das boas intenções, porque vovó é a administradora do local.
Cineasta presenteado fingirá completa satisfação ao receber o presente, e na tarde do dia 25 de dezembro vai assistir o filme ao lado da vovó. Não sem antes preparar um bloody Mary, pra coroar seu estômago depois da comilança com uma azia potente, afinal, você não pode dormir ao lado da vovó.
Presente: Se eu fosse você, Se eu fosse você 2

Feliz Natal!

- Ana, vc tá triste porque a gente não vai trocar presentes este ano?
- Imagina, lindo.
- Ah, sei lá. É tão legal ver quem a gente gosta recebendo uma lembrancinha que seja, sendo surpreendido...
- Por mim, tá tudo bem. E pra você?
- Eu tô tranquilão. Mas sei lá, fiquei meio com o pé atrás quando você propôs isso de não trocar presente... vc adora presente.
- Adoro mesmo. Adoro ganhar presente e dar presente.
- Eu também, adoro dar presente. Mas você tem certeza de que não vai ficar triste de não ganhar nada este ano?
- Tudo o que eu mais quero está aqui, nesta sala, e neste momento está abraçadinho comigo no sofá.
- Ok, linda.
- Ai, ai...
- É legal a gente valorizar as coisas boas da vida e não se deixar levar por uma data que está perdendo seu verdadeiro sentido, seu significado... e eu adoro isso, nós, juntos, vendo tevê, curtindo...
- Aham!
- Se a gente olhar o lado bom da coisa, estamos economizando uma graninha. Ou melhor, uma boa grana, porque eu não ia te dar qualquer coisa.
- Ah é, Celso? Se você fosse me dar um presente, seria algo caro?
- Bom, 'caro' como sinônimo de 'muito caro, meu Deus, que caro', não. Mas como sinônimo de ter parcela para pagar, sim.
- Ai, que lindo.
- Você merece, amor.
- Me dá uma bitoquinha aqui! (*smack*) Você também merece algo caro, Celso. Merece tanto que se você for dar uma olhada embaixo da nossa cama, você vai encontrar um Xbox.
- Quê?!?!?!
- Éx-box! Ou fala 'Xis-box'?
- Mas, Ana, a gente não tinha combinado que não ia rolar presente este ano?!
- Nossa, Celso, até parece que você não gostou...
- Amor... linda... Ana... eu adorei, mas...
- Olha, Celso, eu quero te fazer feliz. Você estando feliz significa que eu estou feliz, então não me repreenda por ter pensando em você nas compras de Natal. Agora, cadê o meu?!
- Seu o quê?
- Meu presente, bobo!
- Ah, Ana! Não vem com essa!
- Pára, Celso! Cadê?, que eu to curiosa!
- Ana, nem vem!
- Cê jura que não comprou nada pra mim?!
- Juro! Não me sacaneia, Ana! Vc que propôs que não ia ter nem amigo oculto de cinco reais!
- Credo, Celso! Santa sensibilidade! E aquele papo de que adora presentear, adora ver a cara de surpresa de quem você gosta?!
- Peraê!
- Acho que eu vou chorar.
- Ana!
- Ai, Celso, eu nunca pensei que você ia fazer uma coisa dessas comigo.
- Ok, ok, ok! Eu tenho um presente pra você.
- Tem?
- Aham, fecha os olhos.
- Fechei.
- Eu vou te dar aquilo que você mais gosta, que realmente vai te fazer feliz.
- O que será, o que será?!
- Peraí que vou lá no quarto (*sai*)
- Nossa, e eu nem vi nenhum pacote, por mais que tenha procurado!
- (*entra*) Você se acha a espertinha, né? Bom, pode abrir os olhos.
- Hum. Não saquei.
- Olha ao seu redor.
- Não entendi.
- Eu, sofá, Xbox. Eu, feliz, jogando meu Xbox, com você no sofá! Você, feliz! A gente pode até ficar abraçadinho! Não é tudo o que você mais quer?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

"Lavânia"

- Alô? Tá me ouvindo?
- Tô, Celso. Fica de frente pra máquina.
- Ok, tô aqui.
- Abre a tampa.
- Ok.
- Joga a roupa, mas por favor, não mistura roupa clara com roupa escura.
- Ok. Cinza é claro ou escuro?
- Depende, é cinza claro ou cinza escuro?
- Ah, Ana, é cinza, po!
- Tá, roupa... escura. Que Deus nos ajude.
- Ok... acabando... acabei.
- Tá. Agora, veja que tem uma gavetinha dentro da máquina, logo embaixo da tampa.
- Hum...
- Tem duas divisões. Numa você coloca o sabão em pó e na outra o amaciante.
- Jura que tem isso?
- Isso o quê? Amaciante?
- É...
- Não, Celso, a roupa fica macia por mágica.
- Ah, eu não curto este trabalhos domésticos...
- Não diga! Enfim, vam'bora. Colocou?
- Mas assim, quanto eu coloco?
- Depende da quantidade de roupa.
- Poha, Ana, este negócio é muito difícil!
- Amor, é proporcional!
- Ah, pronto, sei lá se isso vai dar certo.
- Claro que vai. Agora você fecha a tampa, coloca a mangueira que está atrás da máquina conectada na torneira que tá do lado da máquina.
- Ahhh, pra isso que serve esta torneira?
- - Uhum, viu que legal? Mas não abre a torneira agora não. Primeiro, ajusta o botão de quantidade de água que está na esquerda e no botão da direita você coloca "lavagem normal".
- "Lavagem normal"... mas assim, o nível de água, qual que eu coloco?
- Celso, eu tenho esperança em você.
- Vô colocar no médio! Quero nem saber. Isso tá muito demorado.
- Agora liga a torneira e tcharam!
- Vamos lá...
- ....
- Não aconteceu nada.
- Como assim?
- Tá parada. Não faz nenhum barulho.
- Ué...
- Não fiz nada errado, Ana! Fiz tudo que você me pediu!
- Deixa eu pensar...
- ...
- ...
- Falei pra você que não levo jeito pra estas coisas...
- É...
- Tsc...
- Celso.
- Hum.
- Aperta o botão "ligar", por favor.
- Ahmmmmmmm. Agora sim!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Djavan (n+3)

- Mas é sério, Celso. Estes artistas por aí... um monte de pervertido!
- Peraí, você tá querendo me convencer que o Djavan é pervertido? O Djavan?! Pensa bem, o Djavan-açaí-guardiã-zum de besouro-imã?
- Aham!
- O Djavan, que compôs uma música chamada "Um amor puro"?
- Ah, bem,...
- O Djavan...
- Tá bom, tá bom, tá bom, Celso! O Djavan do cabelinho funk-melody! Já entendi! Djavan, na sua cabeça é um santo, né? Mas aposto que tem muitos outros compositores, cantores, artistas que só pensam em safadeza!
- Tipo quem?
- Ah, tipo o...
- O...
- O Flávio Venturini!
- Ã? Quê?! Bem, você deve ter razão, "Todo azul do Mar" é pura safadeza!
- Calma, eu preciso que você ouça minha análise...
- Lá vem...
- "Te amo, Espanhola".
- É... tenho que concordar...
- Te disse! Um cara eu fala "Por tantas vezes, eu andei mentindo só para não poder te ver chorando"... Mais cara de pau não existe, né?
- Ok... continua...
- "Te amo, Espanhola, te amo, Espanhola... se for chorar, te amo". Tipo... que absurdo: "olha, fica bem, eu sou um tremendo fdp, mas te amo, viu? Beijos".
- Hahahaha!
- "Sempre assim, cai o dia e é assim, cai a noite e é assim"... Todo dia é a mesma coisa? Esta Espanhola é muito judiada!
- Ô se é!
- ..."essa lua sobre mim, essa fruta sobre o meu paladar". Na calada da noite, ele sai e se acaba no pecado. Não sei se você sabe, a fruta é a representação do pecado, essas referências bíblicas, Adão, Eva, cobrinha...
- Ã.
- "Nunca mais quero ver você me olhar sem me entender em mim... eu preciso lhe falar, eu preciso, tenho que lhe contar". Isso é um absurdo! É claro que a Espanhola não entende ele, tadinha! Ela é estrangeira, não entende nada do que ele tá falando, então só resta chorar mesmo!
- Olha, Ana, parabéns!
- Gostou? Eu te disse que eu era uma boa observadora, não sou tão ingênua nãaao!
- To impressionado. Numa música que tem a palavra Espanhola, tudo que você conseguiu entender é que era uma pobre estrangeira enganada...

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Massa

- Ai que fome! Onde vamos almoçar?
- Ah, pode escolher.
- Eu sempre escolho o restaurante, Celso. Hoje é sua vez.
- Ah, por mim pode ser qualquer um.
- Não quer nada em especial?
- Não...
- Ah, então vamos ao Panela de Barro.
- Ah, Panela de Barro não...
- Mas você disse que podia ser qualquer um.
- Tá, qualquer um, menos o Panela de Barro, não gosto do ambiente.
- Ok, então... Bom Tempero?
- Ah, também não...
- Ué!
- Ana, o cara da balança tá sempre com um palito de dente sambando na boca, me deixa angustiado, vai que cai no meu prato!
- Nunca reparei. Tá, e aquele novo, que tem uma vovó no panfleto?
- Hum, não sei...
- É do outro lado da rua.
- Mas será que é bom?
- A gente só vai saber se a gente comer lá.
- Vamos a outro.
- Ai, Celso, não sei se você sabe, mas eu tô com fome.
- Eu sei, mas eu queria comer algum prato... não sei o que é.
- Churrasco? Tem uma churrascaria boa se a gente andar pra lá.
- Nãaao... algo mais...
- Japonês de novo?
- Não, algo mais... enchedor.
- Massa?
- É pode ser...
- Ah, pronto... agora é só saber qual destes restaurantes está servindo massa hoje.
- Tsc...
- O quê?
- Ah...
- Fala, Celso.
- Tô com a maior vontade de comer lasanha.
- Então, vamos procurar um lugar que tenha lasanha!
- Mas eu queria aquelas prontas, da Sadia...
- Aaaaai, que preguiça de você, Celso.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Pela extinção do "biurifol'.

- Amor-amorzinho, você viu estas contas?
- Uhum.
- Tudo bem com a fatura do cartão, lindinho?
- Acho que sim...
- Mas, gatuxo, você pagou a conta da tevê que tava com erro no código de barra?
- Uhum.
- E essa aqui, bebê?
- Deixa eu ver... também.
- Uau, nenem, você é o exterminador de contas, não deixou nada pra mim... Pagou do gás também?
- Do gás? Ah, paguei, paguei.
- Uau... da academia, fofinho?
- Paguei, mas dei cheque.
- Tá bom... e lembrou de pagar também a conta da Renner, buzuzinho?
- Oi?
- Conta da Renner, tchutchuquinho, aquela da minha bota, que pedi pra você pagar quando fosse ao shopping.
- Ih!
- Celso Henrique de Mattos Caludo! Você esqueceu a conta da minha bota?!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

There is only one Ronaldo

- Oi, baby!
- Err... oi.
- Tu....do bem, Celso?
- Aham.
- O que ta fazendo?
- Eu? To aqui, sentadinho no sofá...
- To vendo. Mas assim, fazendo o quê?
- Ué, eu to... to te esperando...
- Tá... cheguei, então.
- Hum. Que bom.
- Você ta estranho, Celso Henrique...
- É, fiz a barba hoje de manhã...
- Que que você tá me escondendo?
- Eu???
- É, assim que abri a porta, você se remexeu todo!
- Ah, normal, tava me ajeitando.
- Levanta.
- Como?
- Le-van-ta.
- Tá, tá... (*levanta*) Viu, a estranha é você! Tem nada.
- Hum, e debaixo da almofada?
- Que que tem?
- Exatamente: o que tem?
- Ué! Sofá!
- Ok, vou levantar esta almofada. O que será que vou encontrar...?
- Nada. Nada não.
- Vou levantar essa almofada já!
- Não, não, não... espera.
- Vai falar?
- Olha, vou te explicar antes: foi mais forte do que eu. Todo mundo da firma tava nessa, e eu me empolguei.
- O quê?!
- Eu não vejo nada de mal nisso, afinal, sou homem, fico ligado nestas coisas...
- Mãe do céu! Respira, Ana, Respira... Quando começou?
- Há uma semana. Ou duas...
- Ã?!?!
- Eu sei, eu sei, você vai falar que eu sou um moleque, que sou um João-vai-com-os-outros...
- Ai, meu Deus, Celso, não to acreditando!
- Se te aflige, saiba que ta me fazendo bem, amor! Eu até to me sentindo mais vivo, me faz lembrar de quando eu era mais novo, sabe?
- É um pesadelo? Alguém me acorda! (*levanta a almofada*) O que é isso?
- Um álbum.
- Ã?
- Figurinhas da Copa.
- Ah, era isso??? Poxa, Celso, que besteira... Levei o maior susto...
- Tava achando que era o quê?
- Ah, nada não... Ai, amor, colecionar estas figurinhas é uma coisa tão, tão, tão sem sentido. Um monte de papel que não vai ser nunca mais usado, gasto de dinheiro a toa, sem falar que daqui a dois anos você nem vai saber qual foi o fim de cada jogador!
- Ah... eu acho legal...
- Deixa eu ver isso... Ó, coisa cafona, (*folheia*) figurinha prateada... Eslovênia! Potêeencia do futebol... humpf... tsc tsc tsc... (*folheia*)
- Ah... eu ainda acho legal....
- Honduras! Hahahaha.... (*folheia*)Je-sus a-ma-do, quem é es-se?!?!
- Ah, Cristiano Ronaldo, Portugal.
- Você tem repetida?!